quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Eça & Outras

O haxixe na vida de Eça e de outras pessoas.

O haxixe é um estupefaciente proveniente das flores fêmeas da Cannabis sativa, variedade indica, também conhecido como marijuana ou outras denominações. Fuma-se, bebe-se e come-se. Durante a sua viagem com o conde de Resende ao Egito em 1869, Eça de Queirós, então com vinte e quatro anos, experimentou no Cairo o haschich e partilhou a descrição dos seus efeitos com os amigos em Lisboa, para quem aliás ambos trouxeram aquela substância em geleia, bolos e pastilhas para fumar. Dir-se-ia que tal era então uma moda entre a intelectualidade europeia, cansada que estava dos champagnes, dos charutos, dos absintos. O café ia então num crescendo. Nem Eça ficou viciado e se alguma vez ficou drogado, tal deveu-se, não tanto ao haxixe, mas aos medicamentos que, mais tarde, passou regularmente a tomar e a variar, conforme as prescrições médicas que procuravam acertar nos seus padecimentos intestinais e combatê-los, com raro sucesso ou alívio, como é sabido. Durante as dores, os crescimentos que de quando em vez o acometiam de forma insuportável, deve ter muitas vezes suspirado pelo haxixe cairota, mas creio que então este não chegava facilmente a Lisboa. Se tivesse a cannabis ali à mão, plantada no quintal, sempre poderia ter passado melhor com as suas enfermidades. Mas no Portugal de então, além do chá de tília, pouco mais havia na velha farmacopeia para aliviar as suas dores e sofrimento. Mas também não podemos agora emendar a História e o que passou, passou.
Presentemente tem-se discutido na Assembleia da República a legalização do consumo da cannabis para fins terapêuticos e não recreativos, como eles dizem, criando assim mais um muro artificial e inútil, desta vez semântico, entre o divertimento e a terapia, como se tal fosse possível. Uma boa parte da Humanidade e os pensantes de todas as épocas terão concluído que tal não o é. Ao fim e ao cabo todas as eficientes terapias para todas as nossas doenças e enfermidades, que outro objetivo terão senão pôr-nos aptos para o exercício normal da vida, o qual inclui por certo o recreio, a diversão, a convivialidade? Para que quereremos a “saúde”, ou a ausência de doenças e enfermidades, senão para viver a vida o melhor possível? Haverá alguns que ainda pensarão que o vida é, ou deve ser, fardo e sofrimento, mas suponho que os psicanalistas já os terão catalogado e, muito humanamente, proposto algumas terapias para esses infelizes, quiçá à base da atualmente discutidíssima cannabis, que para eles já tarda. Porque da auto-flagelação, ou da auto-justificação, à perseguição do bem-estar, ou pelo menos, do sossego dos outros que não estão para aí virados, vai apenas uma pequena distância de oportunidade. E todos sabemos, pelo menos pela História, o que tal significa.
            Desde tempos muito remotos que a humanidade descobriu que algumas plantas e seus derivados tinham propriedades alucinógenas, isto é, capazes de pôr os que as consumiam a ver e a sentir o banal em maior e diferente escala, ou até a ver, sentir, cheirar e usufruir daquilo que só a imaginação cria e que nunca foi real. Poderíamos aqui invocar o consumo habitual do “pão do diabo” por Jerónimo Bosch, um pão de centeio com cravagem, o LSD natural, que o levou a pintar aquelas maravilhosas alucinações que hoje os grandes museus exibem com orgulho e as leiloeiras invejam. Supomos que as polícias já o deixaram em paz e que a justiça não o quer levar a tribunal por consumo de drogas, até porque ele já morreu em 1516. Dos derivados de plantas usados para fins recreativos, ou seja, não necessários à alimentação nem à saúde, atualmente ainda se consomem legalmente quatro, embora dois deles muito perseguidos pela legislação e por um puritanismo exacerbado: referimo-nos ao vinho, uma bebida preparada a partir de uvas da Vitis vinifera fermentadas, com cerca de 11 a 13º de álcool por 100 ml, completamente perseguida em algumas sociedades pela sua capacidade de dar alegria às pessoas; o tabaco, as folhas secas da planta Nicotiana tabacum, por inalação do fumo da sua combustão, perdidos que estão no Ocidente os hábitos de o mascar e snifar (rapé); o café, uma infusão dos grãos torrados da Coffea arabica e outras plantas afins, tomado como estimulante. Por fim o cacaueiro, a Theobroma cacao, sob a forma de chocolate. Depois existem um sem número de sucedâneos de bebidas a partir de outras plantas, como a cerveja, de inalações de derivados de outras plantas, como o sagrado incenso, e de estimulantes orgânicos, como a Camellia sinensis (chá) e outras centenas ou milhares de infusões. A partir do século XIX, após a síntese química das moléculas ativas e da sua replicação artificial, o número de produtos terapêuticos e de estimulantes tornou-se exponencial e nem sempre controlado pela indústria farmacêutica, que muitas vezes vende a substância base, mas já não controla as suas combinações. Mas para os seus efeitos terá sempre um antídoto legal, de modo que o lucro está sempre garantido em todo o processo, se não à partida, de certeza à chegada, quanto mais não seja pago pelo Estado, que em última instância tem de tratar do intoxicado. E tudo isto por quê? Porque, antes de mais, de um modo geral, é bom, sabe bem, dá alguns momentos de felicidade real ou imaginária, resolve os problemas físicos e psíquicos no imediato, mesmo depois do consumidor ter abusado por excesso. A psicose de infringir a lei vigente, a ordem, o status, sempre foi um dos motores da História, que dá a sensação de se ter um pouco mais do paraíso proibido na Terra. Ora, paralelamente à descoberta das plantas estupefacientes, ou simplesmente estimulantes, também ocorreu a tentativa de apropriação dos seus paraísos pelas religiões e pelos sistemas de governação, para o darem em exclusivo aos seus crentes, aos seus fiéis, sob forma controlada e com pagamento de retorno assegurado. Ainda estamos nesse estádio e é isso que andam a fingir que discutem alguns dos nossos deputados, esquecendo que hoje somos todos, ou quase todos, drogados por drogas legais que nos mantêm a qualidade de vida.
            Refletindo sobre o mundo e os seus achaques, e tropeçando nas humanas atitudes, quer individuais quer coletivas, muitos dos escritores e outros artistas do passado e do presente conheceram diversos estupefacientes e experimentaram-nos ou consumiram-nos, como foi o caso de Eça de Queirós. Se é certo que uma boa parte das suas personagens ainda se embebeda, charuteia ou fuma cigarro, e bebe café, do seu consumo de haxixe, comprovado por, entre outros, Jaime Batalha Reis, não ficou memória literária direta. E se de tal poderá ter sucumbiu o seu companheiro de viagem, o conde de Resende, tal não poderemos afirmar, sendo certo que morreu novo e com “visões místicas” (MONCÓVIO, 2016: 25).
            Tirando o vinho, o tabaco, o café e o chocolate que consumimos são importados. Muitas das drogas legais em Portugal (fármacos e não só) são importadas. Quase todas as drogas ilegais em Portugal, à excepção da cannabis, são importadas. O controlo policial e social destas últimas falhou e continuará a falhar. Convém pois reequacionar este assunto a partir de dados humanitários e do bom senso. Está provado que não se combatem as drogas proibindo-as ou criminalizando os seus consumidores, deixando que os fornecedores se substituam em cadeia, e nas cadeias. E se os drogados são doentes, o que só será verdade a partir da evidência de efeitos nefastos e da irreversibilidade da dependência, então tratemo-los com a dignidade que nos merecem todos os outros dependentes de drogas, fármacos ou estupefacientes. Entre o consumidor compulsivo de cannabis cultivada no seu quintal e o de fármacos legais da farmácia da esquina, que venha o diabo e que escolha. Eu sei em quem voto.
            Declaração de interesses: o autor deste artigo consome moderadamente vinho, café, cacau e medicamentos legais. Não fuma, embora na juventude tenha teimado porque era proibido no liceu, sem o conseguir. É também uma prova de que a propensão para o uso imoderado do tabaco não é hereditária. Nunca consumiu cannabis ou qualquer outra droga ilegal, embora as tenha tido disponíveis no tempo da tropa em Moçambique, não por “ser melhor do que os outros”, mas porque, entre outros motivos, ter tido sempre necessidade de se manter vigilante face ao status quo circundante, e por, apesar de tudo o que tem passado, não estar descontente com a vida, não precisar de “refúgios” para além da realidade, nem querer “dar o flanco ao inimigo”, seja lá ele qual for. Conhece os sete prazeres da vida e esses lhe bastam. Tem tomado alguns fármacos legais por prescrição médica, alguns dos quais o ajudaram a superar um problema de saúde grave. Acredita na eficiência da Medicina, mas sabe que a vida não existe por receita médica, filosófica ou policial. Se a questão se pudesse pôr, nunca colaboraria em qualquer perseguição a Eça de Queirós e seus amigos por terem consumido haxixe nem, se fosse deputado, participaria nos dias de hoje na elaboração de leis obsoletas ou inúteis contra tal consumo. Deixaria a sua profilaxia para programas de educação e de reinserção social mais eficazes, concretos e humanos. Se pudesse, a todos convidaria para tentarem viver num mundo onde não se consumissem drogas dispensáveis, nem onde estas alimentam uma boa parte da economia paralela, onde ombreiam com os tráficos de armas e de pessoas.
Já li o romance A Coca de J. Rentes de Carvalho e gostei da abordagem do autor. Creio que, para além do seu grande valor como obra literária, ajuda a perceber o fenómeno entre nós.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Livros e revistas

Revista de Portugal
            A Revista de Portugal n. º 14, publicada no passado dia 25 de novembro, encontra-se digitalizada e disponível em wwwqueirosiana.pt a partir de hoje. Embora a sua publicação habitual vá continuar a ser feita em papel, é intenção da direção disponibilizar todos os números já publicados neste sítio.

            Encontra-se em distribuição o n.º 85 do Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia referente ao mês de dezembro de 2017, com artigos de, entre outros, GUIMARÃES, J. A. Gonçalves – Biografias de Mafamudenses ilustres; MONCÓVIO, Susana – Adelaide Lucinda Fontes (1871-1951) e Emília Ernestina da Silva (1869-1952): a formação artística das senhoras Teixeira Lopes; e OLIVEIRA, Nuno Gomes – Viveiros da Quinta da Telheira, Santo Ovídio. A biodiversidade perdida.

Palestras, cursos, congressos e outros eventos
Francisco Ribeiro da Silva e o Foral de 1518
Comemorações do Foral de Gaia de 1518
            No passado dia 19 de Janeiro tiveram início as comemorações oficiais dos 500 anos do Foral manuelino de Vila Nova de Gaia com uma sessão solene no Arquivo Municipal presidida pelo Prof. Doutor Eduardo Vitor Rodrigues, presidente da câmara, ladeado pelos vereadores Eng.ª Paula Carvalhal e Dr. Manuel Monteiro. Foi orador o Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva, ex-professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que dissertou sobre o conteúdo do documento no contexto da reforma manuelina. A sessão foi abrilhantada com a atuação de um grupo de guitarra clássica do Conservatório de Música de Gaia que tocou peças da época. Seguiu-se a abertura de uma exposição evocativa, a qual tinha como ponto central o original do Foral, bem assim como outros objetos da época ou a ela alusivos. Entre muitas das individualidades presentes encontrava-se D. Henrique de Cernache, conde de Campo Bello, descendente dos antigos senhores de Gaia-a-Grande e de Álvaro Anes e de Diogo Leite referidos neste documento régio.
            As comemorações prosseguirão com um exposição de Artes Plásticas inspiradas no Foral, organizada pela associação Artistas de Gaia e que abrirá no dia 24 de março, e pela realização de um cortejo cívico que terminará com uma recriação histórica e pelo lançamento da edição fac-similada do Foral, no próximo dia 30 de junho.

25 anos da Escola Diogo de Macedo
            Com um vasto programa de vinte e cinco eventos apresentado por Manuel Filipe de Sousa, iniciaram-se no passado dia 19 de janeiro com um Concerto de Abertura pelo Conservatório de Música do Porto realizado na Igreja de Crestuma, Vila Nova de Gaia, completamente cheia, as comemorações dos 25 anos da AEDMO – Agrupamento de Escolas Diogo de Macedo. Os estantes eventos, que incluem exposições, conferências e edição do jornal Face ao Douro, decorrerão ao longo do ano com a colaboração de diversas personalidades e instituições.

Últimas Quintas do Mês
Noje, no Solar Condes de Resende, prosseguindo o programa das palestras das últimas quintas-feiras do mês, pelas 21,30 horas, J. A. Gonçalves Guimarães falará sob o tema «Toponímia gaiense: introdução ao seu estudo» em que abordará, entre outros, os topónimos do Foral quinhentista. No próximo mês de fevereiro, dia 22, no mesmo local e à mesma hora o mesmo investigador falará sobre «Portucale entre suevos e visigodos».

Curso de Património Cultural de Gaia
             Prossegue no próximo sábado no Solar Condes de Resende o curso sobre o Património Cultural de Gaia, com uma aula sobre o Património Institucional pelo Prof. Francisco Barbosa da Costa. Em fevereiro dia 3 será a vez do Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa sobre Património Humano – Personalidades e no dia 17 sobre Património Edificado pelo Prof. Doutor Nuno Resende.

Depósitos e doações
            Pelo Dr. Marcus Vinícius Cocentino Fernandes, médico radiologista, foram entregues à Confraria Queirosiana mais 20 livros e uma fotografia do espólio da Dr.ª Júlia Cunha, a juntar aos 89 itens já doados desta discípula dileta de Teófilo Braga, o qual tem vindo a ser estudado pelo Prof. Doutor José António Martin Moreno Afonso da Universidade do Minho, contando já com um primeiro artigo intitulado «Memórias dos anos de formação de uma professora portuense na década de 1920» apresentado no Congresso Internacional “O Tempo dos Professores”, que decorreu no Porto entre 28 e 30 de setembro de 2017, organizado pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
S. Gonçalo, séc. XVIII; propriedade da Associação Os Mareantes do Rio Douro.

A propósito da romaria de S. Gonçalo que decorreu em Gaia no passado dia 14 de janeiro, a Associação Os Mareantes do Rio Douro depositou no Solar Condes de Resende, para estar exposta, uma imagem do século XVIII daquele taumaturgo amarantino medieval que antigamente era usada no seu cortejo votivo até à igreja de Mafamude, a qual, entretanto foi substituída por uma outra mais recente.
____________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 110 – quinta-feira, 25 de janeiro de 2018; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; fotografia: Carlos Sousa e Susana Guimarães.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Eça & Outras

Segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Presépios e Cascatas

            Recentemente a UNESCO declarou a arte popular dos bonecos de Estremoz, ou mais propriamente a sua «produção de figurado de barro» como Património Cultural Imaterial da Humanidade, sendo esta terra também já conhecida pelos seus famosos púcaros de barro decorados, pelo menos desde o século XVI. O processo de candidatura atribui a este figurado uma antiguidade de 300 anos, sendo uma arte exclusivamente feminina. Talvez seja verdade, mas quase sempre a arte dos bonecos é muito mais antiga, o que a Arqueologia tem vindo a confirmar. Enquanto os romanos ricos mandavam fazer os bustos dos antepassados a escultores de renome, os pobres pediam ao oleiro da esquina que lhes fizesse em barro a figura dos pais ou dos avós para colocarem nos lares familiares, os altares domésticos dedicados aos antepassados, permanentes ou com especial devoção nos solstícios de verão e de inverno. Noutros casos eram bonecos mais ou menos artísticos que representavam as divindades do antigo panteão greco-latino, as quais perduraram até aos nossos dias nos bibelots que temos em casa: «Uma Diana apertando o coturno de caça; Leda sorrindo ao cisne que arqueia o pescoço para a beijar; outra deusa com um espelho caído no regaço; uma ninfa conversando com um fauno sobre um tronco caído - tais são os motivos familiares e singelos destes grupos, que não têm nem um palmo de altura e encerram um infinito de harmonia e de beleza. E esta beleza não deslumbra, nem sacode violentamente a imaginação. É na inteligência que se insinua, que produz uma emoção toda intelectual» (Eça de Queirós, Notas Contemporâneas, «Uma colecção de arte»). Por isso muitos destes bonecos passaram ao longo dos séculos do humílimo barro ao biscuit e até aos metais nobres. Se já não esperamos deles proteções celestiais, mantemo-los em nossas casas junto dos bonecos da Senhora de Fátima, de Buda, de Iemanjá, do Padre Cruz, do Dr. Sousa Martins ou do Ronaldo pelo estatuto intelectual e simbólico que nos concedem e, convenhamos, pelo que valem a olho ou ao quilo. Como nos antigos Egito ou China; como no antigo Império Romano; como nas civilizações andinas.
Sendo então os bonecos de barro uma criação sempre presente desde os primórdios da Humanidade, e de todas as civilizações, entre nós, os mediterrânicos, deram origem aos santos individualizados dos antigos oratórios e às composições coletivas com figuras dos presépios e das cascatas, as primeiras existentes desde a democratização do Cristianismo e ajustadas aos relatos evangélicos ao longo dos tempos, depois padronizados pela utilização catequética que delas fez Francisco de Assis, explodindo em erudições barrocas no século XVIII e regredindo daí para cá em simplificações estéticas; as segundas mantendo-se na esfera das artes populares muito pouco sacralizadas pela religião católica.
São estas atualmente as principais utilizações do figurado popular em Portugal, a partir de exemplares produzidos em Barcelos e pouco mais, pois os bonecreiros de Gaia praticamente desapareceram, se bem que tenham deixado descendência humana e olárica nos Açores e no nordeste brasileiro, onde ainda hoje se fazem “lapinhas”, nome aí comum para os invernosos presépios e as muito raras juninas cascatas. Na região do Baixo Douro, onde perduraram uns e outros, mas com cenários e significantes diferentes, só as representações dos ovinos podem ser comuns em ambas as construções.
Regressando aos bonecos de Estremoz, relembremos que foi o escultor gaiense José Maria de Sá Lemos (1892-1971), sobrinho e discípulo do escultor António Teixeira Lopes, quem os salvou da extinção quando, entre 1932 e 1945, foi professor e diretor da Escola Industrial António Augusto Gonçalves naquela vila alentejana, tendo levado ao curso de cerâmica ali existente a então última bonequeira, Ana da Silva, a ensinar a sua arte às novas gerações. Depois, com o mestre oleiro Mariano da Conceição concebeu na estética dos bonecos locais o “presépio de altar”, unindo na mesma peça duas realidades diferentes, o presépio natalício e o trono de Santo António, com os três Reis Magos no lugar dos santos populares, a Sagrada Família no degrau do meio e os pastores no inferior. Este escultor nascido em Mafamude, Vila Nova de Gaia, outrora terra de bonequeiros, era por sua vez sobrinho e neto de quem não desdenhou o seu fabrico erudito e por isso a sua sensibilidade para o assunto, agora com tão felizes consequências. Tanto seu tio, o escultor António Teixeira Lopes, como seu avô o escultor e ceramista José Joaquim Teixeira Lopes se dedicaram à arte das figuras populares em barro numa terra que então os fazia para as cascatas de verão. E ambos eram amigos de Rafael Bordalo Pinheiro, visita de suas casas.
A propósito desta classificação alguns opinaram que o Património Mundial pode estar a banalizar-se. É possível que sim, mas não sei se daí virá algum mal ao mundo. Existindo ainda uma tradição bonecreira, presepeira e cascateira nos municípios do Porto, Gaia, Matosinhos, Gondomar e outros do Baixo Douro deixo aqui a sugestão de que a assembleia da Área Metropolitana do Porto proponha os presépios, eruditos ou populares, e as cascatas, não mais que populares, para serem classificados como tal, patrocinando a respetiva candidatura e promovendo a continuação da sua realidade cultural como um dos símbolos da região. Afinal um outro tipo de bonecos de barro também existe aqui há séculos para estas duas manifestações dos antiquíssimos lares familiares.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Confraria Queirosiana
Comemorações queirosianas
            No presente ano várias foram as entidades nacionais e locais que comemoraram o aniversário de Eça de Queirós. Assim, no dia 25 de novembro, o seu dia natalício, o presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, a convite da autarquia de Baião ali se deslocou para a inauguração de uma estátua do escritor, desta feita de Emília Lopes, que se junta assim nesta localidade a um outro monumento ao escritor com um busto em medalhão da autoria de Henrique Moreira, inaugurado em 1968, tendo depois visitado a Fundação Eça de Queiroz na Quinta de Vila Nova, santa Cruz do Douro.
            Patrocinaram ou acolheram eventos relacionados com a efeméride as câmaras da Póvoa de Varzim, com a apresentação da última edição do livro “Eça de Queiroz uma biografia” de A. Campos Matos, apresentado pela Prof.ª Doutora Isabel Margarida Duarte na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, e Vila Nova de Gaia, que acolheu no Solar Condes de Resende o 15.º capítulo da Confraria Queirosiana.
            Na semana anterior, entre 20 e 25 de novembro decorreu em Lisboa no Centro Cultural Eça de Queiroz o III Colóquio Luso-brasileiro dos Olivais/Lumiar, XXXIII Colóquio dos Olivais e IV Colóquio Rádio+Cultura. Ainda na capital, no dia 23 realizou o Círculo Eça de Queiroz, conjuntamente com o Grémio Literário, o jantar comemorativo anual, que desta feita contou com a atuação do pianista Adriano Jordão, tendo estado presentes, além dos dois presidentes daquelas duas instituições queirosianas, dirigentes da Fundação Eça de Queiroz e da Confraria Queirosiana.

15.º Capítulo da Confraria Queirosiana

Novos Confrades

           
Como habitualmente a Confraria Queirosiana celebrou o seu capítulo anual no salão nobre do Solar Condes de Resende. A sessão foi presidida por José Manuel Tedim, presidente da direção, César Oliveira, presidente da assembleia geral da ASCR-CQ, e J. A. Gonçalves Guimarães, mesário-mor da confraria, tendo ainda sido chamadas à mesa, Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas e Paula Carvalhal, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. A sessão foi abrilhantada por um grupo de clarinetes e solistas do Conservatório de Música de Gaia que interpretaram os 6 Nocturnos de Mozart dirigidos pelo maestro José Cidade. Estiveram presentes representantes de várias confrarias e de várias instituições culturais, tendo sido assinados diversos protocolos de doação de bens, nomeadamente o livro manuscrito “Memórias de um Expedicionário a Moçambique (1917-1919) de José Pereira do Couto Soares, por seu neto Dr. Fernando Rui Morais Soares, editado pela Confraria em 2016, e um protocolo de edição entre esta e as Edições Afrontamento, representadas pelo seu diretor, Dr. José Ribeiro. Seguidamente foi apresentado o n.º 14 de Revista de Portugal pelo seu diretor Luís Manuel de Araújo, a que se seguiu a apresentação da edição da dissertação de mestrado de Licínio Santos, “Cultura e Lazer. Operários em Gaia, entre o final da Monarquia e o início da República (1893-1914)”, pelo seu orientador Professor Doutor Gaspar Martins Pereira, e a de Maria de Fátima Teixeira, “Companhia de Fiação de Crestuma. Do fio ao pavio”, pelo seu orientador Professor Doutor Jorge Fernandes Alves e pelo patrocinador e proprietário daquele complexo fabril em recuperação patrimonial, Dr. Ricardo Haddad.
            Foram insigniados como novos confrades de número, Adalberto Neiva de Oliveira, diretor da Cabelte; António Domingos Dias Costa, economista; José Carvalho de Freitas, advogado; Manuel Monteiro, vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia; Maria Teresa Girão Osório, pintora; Nelma Patela, professora; como sócios de honra, Acácio Edgar Alves Luís, ex-funcionário da Bayer, pela oferta da biblioteca libertária de seu pai; Arménio Costa, presidente da Junta de Freguesia de Canelas, pelo apoio dado às realizações da Confraria no Solar; e Marcus Vinícius Cocentino Fernandes, médico radiologista, pela doação de um espólio inédito sobre Teófilo Braga.
            Os confrades dirigiram-se seguidamente para a estátua de Eça de Queirós de Helder de Carvalho no Jardim das Camélias, onde colocaram uma coroa de louros e para as salas do Salon d’Automne 2017 apreciaras obras dos sócios e confrades expostas. Seguiu-se o jantar queirosiano, com atuação do grupo cantante Eça Bem Dito, o desfile de Moda de inspiração indiana da estilista Maria José Gomes e a atuação da Academia de Dança Gente Gira.  

Livros e revistas

Disponibilizadas on line com a realização do 2.º Congresso da Associação dos Arqueólogos Portugueses que decorreu em Lisboa entre 22 e 25 de novembro passado, foram assim publicadas as Atas que nas suas 2036 páginas incluem os textos das comunicações e dos posters aí apresentados, entre os quais o de SILVA, António Manuel S. P.; GUIMARÃES, J. A. Gonçalves; PINTO, Filipe M. S.; SOUSA, Laura; LEITE, Joana; LEMOS, Paulo; PEREIRA, Pedro, e TEIXEIRA, Maria de Fátima (2017) – O Projeto CASTR’ UÍMA (Vila Nova de Gaia, 2010-2015) Elementos e reflexões para um balanço prospetivo. In ARNAUD, José Morais; MARTINS, Andrea, coord.  – Arqueologia em Portugal 2017 – Estado da Questão. Textos. Lisboa: Associação dos Arqueólogos Portugueses, p. 137-154, o qual dá a conhecer, para além dos aspetos científicos, o impacto social deste projeto em realização pela ASCR - Confraria Queirosiana.

A editora Guerra & Paz acaba de lançar no mercado o livro “Lopes-Graça e a Modernidade Musical” de Mário Vieira de Carvalho, musicólogo e professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, de que foi vice-reitor, e ainda secretário de Estado da Cultura em 2005-2008. Num conjunto de quatro ensaios o autor revisita este compositor e teórico da música portuguesa e universal que equacionou a relação entre a modernidade sonora e as outras áreas da cultura e da ação política, além dos universos da música nacional face aos particularismos quantas vezes bem étnicos da chamada música internacional. Falecido em 1994, Fernando Lopes Graça continua a ser incontornável na nossa modernidade e estes estudos ajudam a entender o seu pensamento e ação em questões longe de estarem aclaradas, como o «…conceito de “povo” na música tradicional».  


Palestras, cursos, congressos e outros eventos

Mestrado em Arqueologia

            No dia 13 de novembro passado decorreram na Faculdade de Letras da Universidade do Porto as provas de mestrado em Arqueologia do Dr. Joaquim Filipe Vidinha Tinoco Ramos, intitulado “Estágio no Solar Condes de Resende. Contributo para o estudo das Cerâmicas Finas Tardias da Igreja do Bom Jesus de Gaia”, realizado sob a supervisão do Prof. Doutor Rui Morais e que teve como orientadora institucional a Mestre em História, Susana Guimarães. O júri, que aprovou o candidato com dezasseis valores, poi composto pelos professores Teresa Soeiro e Rui Morais, tendo sido arguente J. A. Gonçalves Guimarães.

Últimas Quintas

     No passado dia 30 de novembro realizou-se no Solar Condes de Resende uma palestra pelos Mestres Fátima Teixeira e Licínio Santos sobre «As profissões segundo os cadernos leitorais de 1894 - O centro urbano de Vila Nova de Gaia em finais de oitocentos», onde demonstraram a enorme diversidade de atividades produtivas então existente no cento histórico de Gaia. No próximo dia de 28 dezembro, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “As profissões em Gaia no século XVI (a propósito do Foral de 1518)”.

O Gato no Antigo Egipto

     No dia 19 de dezembro decorreu no Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa um seminário orientado pelo egiptólogo Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo sobre o tema “O Gato no Antigo Egipto”. A sessão incluiu o lançamento do número 5 da revista Hapi da Associação Cultural de Amizade Portugal-Egito.

Curso sobre Património Cultural

Em janeiro prossegue no Solar Condes de Resende o curso livre sobre Património Cultural de Gaia com as seguintes aulas: sábado dia 6, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “Património do Mundo em Gaia”; no dia 27, Barbosa da Costa falará sobre “Património Institucional de Gaia”.

Exposições


            No passado dia 15 de dezembro abriu ao público em Ourense, Galiza, a exposição europeia In Tempore Sueborum com três núcleos: I – Centro Cultural “Marcos Valcárcel”; II – Igreja de Santa Maria Nai; III – Museu Municipal. Tendo estado presentes as autoridades estaduais, autonómicas e municipais espanholas, galegas e ourensianas, bem assim como representantes dos 10 países europeus presentes na exposição, o Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR – Confraria Queirosiana fez-se representar pelo arqueólogo António Manuel S. P. Silva, co-coordenador dos projetos de intervenção arqueológica em Crestuma e no Castelo de Gaia. Nesta exposição, onde estão presentes peças provenientes de museus de Alemanha, Áustria, Bélgica, Eslováquia, Espanha, França, Hungria, Polónia, Portugal e República Checa, o Solar Condes de Resende está representado com três peças arqueológicas do Castelo de Gaia (uma taça de vidro; um prato-taça de cerâmica de Cartago com figuras paleocristãs e um brinco de ouro), com textos de J. A. Gonçalves Guimarães e 1 peça do Castelo de Crestuma (1 fragmento de tegula epigrafado), com texto de M. I. Velázquez Soriano, todas datadas dos séculos V/VI, tendo sido editado um magnífico catálogo em galego, castelhano e inglês. A Confraria Queirosiana está a organizar uma visita a esta exposição no final de janeiro coincidente com a 19.ª edição do Xantar “Salón Internacional de Turismo Gastronómico” que ali decorre entre 31 de janeiro e 4 de fevereiro.

Castelo de Crestuma

            Esteve exposta entre outubro e dezembro na Escola Escultor Fernandes de Sá em Vila Nova de Gaia a exposição itinerante “Castelo de Crestuma: a Arqueologia em busca da História”, que apresenta uma leitura didática do sítio e da sua evolução até à atualidade, composta por painéis ilustrados e diversas vitrinas com espólio arqueológico, cerâmico, pétreo e metálico tratado e descrito.
 ______________________________________________________________________
Eça & Outras, III.ª série, n.º 109 – segunda-feira, 25 de dezembro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral; colaboração: Manuel Nogueira; fotografias de Miguel Pena.



domingo, 26 de novembro de 2017

25 de novembro de 2017

Heróis que passam, heróis que ficam
     Recentemente apareceu em Mértola mais uma estátua romana togada. Muitas destas representações de antigos magistrados, ou mesmo de imperadores, aparecem sem cabeça, o que não quer dizer que tenham sido decapitados. Na sua sabedoria prática os antigos municípios romanos sabiam que os estatuados em vida não eram eternos, e por isso, mesmo que não fossem substituídos antes, um dia morreriam e devido a essa circunstância incontornável seriam substituídos no templo e na praça pública. Ora, pensavam eles, para quê substituir a estátua toda se na realidade bastava mudar a cabeça e a inscrição na base? É que tudo o resto, arte, postura, traje, simbólica, culto reverencial pela pessoa que ocupou o cargo, continuaria igual nos que se lhe seguiam. Logo bastava gastar dinheiro apenas num novo busto e encaixá-lo na venerável estátua que assim até permitia um certo arremedo, se não de eternidade, pelo menos de continuidade, o que não sendo a mesma coisa, tem os seus confortos espirituais e não só. Assim se faziam as perpetuidades mais práticas.
Com as estátuas de mármore tal é possível e algumas dessas obras de arte, figuras de corpo inteiro e bustos, já eram feitos nesse pressuposto, com os encaixes necessários para as previsíveis substituições. Nas estátuas de bronze, fundidas por inteiro ou em partes, não sendo impossível a operação, ela é muito mais difícil. Serrar uma cabeça, e depois soldar uma outra no seu lugar, raramente dá origem a remendo perfeito, parecendo que o novo estatuado está na festa com um fato de aluguer. Por isso, quando as sociedades se interrogam sobre a validade e o significado das estátuas de bronze, estas normalmente acabam apeadas, partidas aos bocados, e quantas vezes derretidas de novo para dar origem a novas estátuas ou utilíssimos elementos de pichelaria.
Se é certo que já os chineses, os egípcios, os gregos e outros fizeram antiquíssimas estátuas de bronze, elas continuam hoje presentes nas nossas praças, se bem que pelo facto de valerem 7 € o quilo na sucata tenham vindo a desaparecer umas tantas de pequeno e médio porte e com pedestal rasteirinho, o que é barato se compararmos com o preço da arte nelas investido. Recentemente, nos EUA, as novas gerações que já não se revêem nos heróis confederados, ou que deles sabem as más memórias, entenderam que deviam acabar com o seu pimponeio na praça pública e, no mínimo, mandá-los, se não para o alto forno, ao menos para o museu, substituindo-os por heróis mais consensuais. Já no Iraque de Saddam Hussein, a fúria dos invasores estrangeiros derrubou as suas estátuas erguidas pelo seu regime. Um pouco mais atrás, com a queda da União Soviética apearam-se lenines e estalines por todo o lado. Na derrocada do Império de papel português, navegadores, militares e sertanejos existentes nas ex-colónias foram apeados do pedestal. Com o habitual humor cabo-verdiano, vi na cidade da Praia uma estátua laudatória a um antigo governador na qual uma crioula sentada na base, em vez de continuar a apontar o indicador agradecido para o homenageado, foi este dedo substituído pelo apontar do dedo médio e o recolhimento dos restantes (se não percebeu a descrição, experimente). Salvou-se a estátua sem grande dano e atualizou-se a mensagem, o que nem sempre é possível.
Ele há mesmo estátuas que, entre o atelier do artista e a praça pública mudam de personalidade: no Rossio, em Lisboa, aquela «vela de estearina colossal e apagada» (Eça de Queirós, O Primo Basílio), foi feita para retratar o austríaco Maximiliano do México, que entretanto os mexicanos fuzilaram. Com a despesa já feita, mas por pagar, a fundição italiana que o fez concorreu e ganhou o concurso para o monumento a D. Pedro IV de Portugal, afinal primo e muito parecido com o imperador mexicano recusado. E aí está ele lá no alto, dispensando pormenores. Por essas terras fora há muita estátua, muito busto, que em muitos casos são de gente irrelevante fora da congregação ou do círculo de devotos que as ergueram, às vezes até de figuras controversas impostas à tolerância da distração pública. Se as devoções filiais e familiares se percebem, já o confundir esse restrito afeto com o reconhecimento público, no imediato ou a prazo, poderá ter más consequências. Em muitos casos, para sabermos o que fez o estatuado, perante o laconismo do letreiro, nem mesmo nos vale a Grande Enciclopédia, temos mesmo de ir perguntar ao café da esquina e, uma vez aí, talvez tenhamos sorte em saber quem foi realmente o filho da terra, atendendo que algumas há em que a sua existência e relevância local é absolutamente lendária, mitológica, ficcional, um verdadeiro gato por lebre mistificador.
Por outro lado, quanto verdadeiro herói não jaz nos arcanos do esquecimento da memória presente, ocupada que anda com gente irrelevante, mas momentaneamente famosa pelo seu saracotear anatómico ou mental. Mas assim cheia e ocupada a opinião social quotidiana, não creio que daqueles outros queira os feitos e o exemplo.
Eça escreveu um dia a Oliveira Martins dizendo que «um herói que se ressuscita vale um filho que se gera» (Carta de 14.09.1898). Talvez, mas convém que o ato gerador não seja um devaneio pessoal, mas antes um espelho da comunidade e que esta se reveja na estátua erguida. Não chega perpetuar o herói, pois o importante é que o ato ajude a perpetuar a comunidade que o terá como exemplo, pois de outro modo, nisto de estátuas, uns heróis passam, outros heróis, mesmo sem elas, ficam. Per omnia saecula saeculorum.
           
J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Livros e revistas

É hoje lançado no capítulo da Confraria Queirosiana pelo seu diretor, o egiptólogo Luís Manuel de Araújo, o n.º 14 da nova série da Revista de Portugal dedicada ao compositor Alfredo Napoleão (1852-1917), com artigos de Susana Moncóvio (Luísa Ey (1854-1936): aspetos biográficos de uma divulgadora de Eça de Queirós na Alemanha); Paulo Sousa Costa (O domínio templário de Mogadouro e Penas Roias no século XIII); Dagoberto Carvalho Jr (São Gonçalo de Amarante, o santo que não foi e é. Contribuição ao estudo de um devocionário); J. A. Gonçalves Guimarães (O «Relicário D. João I» de Filipe José Bandeira); José Manuel Gonçalves (João Martins Silva Marques: «o mais sintrense dos não sintrenses»); J. Rentes de Carvalho (Apresentação do livro Trás-os-Montes. O Nordeste, em Mogadouro e em Lisboa); José António Afonso (Nell Leyshon, Del color de la leche). O presente número apresenta ainda a Bibliografia 2016 dos sócios da ASCR-Confraria Queirosiana e o Relatório de Atividades da associação.


Neste mesmo capítulo são também lançadas duas dissertações de Mestrado de dois investigadores do Gabinete de História, Arqueologia e Património, apresentadas recentemente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e editadas pela Confraria Queirosiana em parceria com as Edições Afrontamento, a primeira intitulada “Cultura e Lazer. Operários em Gaia, entre o final da Monarquia e o início da República (1893-1914)”, apresentada pelo seu orientador Professor Doutor Gaspar Martins Pereira, que sobre a mesma escreveu: «Neste trabalho de Licínio Santos sobre representações da cultura e do lazer do operariado de Gaia, em finais do século XIX e inícios do XX… é bem perceptível essa forte articulação entre o trabalho, a cultura e o lazer que caracteriza a «cultura popular», na perspectiva de Richard Hoggart, e que forma, também, o núcleo central da «cultura operária».




Por sua vez, a dissertação de Maria de Fátima Teixeira, segundo o seu orientador, Professor Doutor Jorge Fernandes Alves que igualmente apresentou a obra, «… traz-nos, com o presente volume, uma larga e fundamentada incursão a esse complexo industrial que foi a Companhia de Fiação de Crestuma, colocando questões e propondo respostas, levantando novas e pertinentes problemáticas, com base numa pesquisa incisiva de fontes documentais… cujos espaços tem calcorreado e conhecerá como poucos». Na ocasião esteve igualmente presente o patrocinador da edição e proprietário daquele complexo industrial em recuperação, Dr. Ricardo Haddad que, baseado nos seus conhecimentos e experiência internacionais, escreveu um texto de apresentação que relaciona a história desta empresa gaiense com a indústria têxtil mundial. A obra será também divulgada no Brasil.



Neste mesmo dia na Póvoa de Varzim A. Campos Matos lançou a 3.ª edição do seu Diário Íntimo de Carlos da Maia (1839-1930), publicado pelas Edições Colibri. Obra maior da ficção queirosiana, o autor assume-se nela como continuador de Os Maias, mas sem ser apenas – ainda que um gigantesco apenas – uma reencarnação de Eça de Queirós e da sua escrita, mas também de todo o pathos biográfico recriado da personagem principal daquele romance, que a obra inicial vê assim continuada neste Diário Íntimo que já vai em três edições, esta última com posfácio do próprio autor e uma recensão de Dominique Sire sobre a primeira edição. Tendo aqui Carlos da Maia sobrevivido ao seu criador até dezembro de 1930, este texto apresenta o mundo sobre que Eça poderia ter refletido se a morte o não surpreendesse a 16 de agosto de 1900. Se em vez de ter morrido com cinquenta e cinco anos, os oitenta e cinco que então teria naquela data não eram um favor dos deuses por aí além a tão notável e humano escritor. Com esta obra imperdível de A. Campos Matos ficam assim saldadas umas certas contas com a distração divina.
 


Com a gentileza de dedicatória amiga chega-nos um novo livro de Dagoberto Carvalho Júnior intitulado “De Oeiras a Oeiras pelo Recife”, editado pela Editoração Eletrônica de Olinda, Pernambuco, com prefácio de Fonseca Neto, o qual reúne «Memórias pessoais, porquanto cerca de quinhentos artigos publicados… ao longo de vinte e dois anos – reunidos em outros livros do autor, integram as “minhas memórias dos outros”, como às suas chamou Rodrigo Octávio», nomeadamente artigos publicados na nova série da Revista de Portugal e, neste mesmo livro um «Encontro em Vila Nova de Gaia» datado de maio deste ano, quando esteve entre nós por breve e já saudoso tempo.


Palestras, cursos, congressos e outros eventos

Património Cultural de Gaia        
No passado dia 28 de outubro decorreu no Solar Condes de Resende a sessão de abertura do Curso livre sobre o Património Cultural de Gaia, organizada pela Academia Eça de Queirós com a colaboração da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia através do Solar Condes de Resende e certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente. A sessão foi presidida por Eduardo Vitor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, ladeado por José Manuel Tedim, da direção da Academia, Carlos Sousa, em representação da diretora daquele Centro de Formação e J. A. Gonçalves Guimarães diretor do Solar e coordenador destes cursos desde 1991. A primeira parte foi preenchida pela entrega dos certificados do curso anterior aos alunos e professores presentes. Na segunda parte, como professor de Sociologia, o presidente da autarquia gaiense apresentou o tema “Património Cultural e Autarquias”. No dia 4 de novembro, como professor de Património, J. A. Gonçalves Guimarães apresentou “Teoria e Metodologia do Património” e no próximo dia 18 o biólogo Nuno Oliveira falará sobre o “Património Natural de Gaia”. A 16 de dezembro o arqueólogo António Manuel S. P. Silva falará sobre o “Património Arqueológico de Gaia”, prosseguindo o curso no próximo ano com sessões apresentadas pelos diversos coordenadores deste projeto em execução pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-Confraria Queirosiana.

Imprensa diária e Grande Guerra
No passado dia 10 de novembro decorreu no Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner de Vila Nova de Gaia um colóquio subordinado a este tema organizado pelo CITCEM da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Na sessão de abertura Jorge Fernandes Alves falou sobre “ Um jornal na História – O Comércio do Porto”, cuja coleção se guarda neste Arquivo e que durante muitos anos teve uma secção especialmente dedicada aos assuntos de Vila Nova de Gaia.

Colóquio dos Olivais
Nos dias 20 a 25 de novembro decorreu no Centro Cultural Eça de Queiroz em Lisboa o III Colóquio Luso-brasileiro dos Olivais/Lumiar, XXXIII Colóquio dos Olivais e IV Colóquio Rádio+Cultura. Entre muitos outros oradores falaram A. Campos Matos sobre “Anotações Queirozianas”, Fernando Andrade Lemos “Lembrando Eduardo Sucena” e Luís Manuel de Araújo “Revivendo Eça no Egito”.

Almanaques de Eça em leitura
Hoje, dia 25 de novembro, na livraria do Porto da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, pelas 17 horas, a Professora Isabel Pires de Lima participará nas “Leituras de Casa”, um ciclo de leituras e conversas, desta vez sobre “Almanaques e outros Dispersos” de Eça de Queirós.

Exposições




Conforme informamos na página anterior, abriu ao público no passado dia 4 de novembro no Solar Condes de Resende o Salon d’Automne queirosiano 2017 numa cerimónia muito concorrida por parte dos artistas, seus amigos e familiares e diversos sócios e confrades. A abertura foi feita pelo mesário-mor da Confraria Queirosiana, J. A. Gonçalves Guimarães, pelo presidente do conselho fiscal e diretor dos Auditórios Municipais de Gaia, Dr. Manuel Filipe, e pelo presidente da assembleia geral da Confraria e da direção da Federação das Coletividades de Gaia, César Oliveira, tendo todos eles usado da palavra para se referirem a este evento que conta já com 12 edições. Foi curadora da exposição Maria de Fátima Teixeira, responsável pela edição do catálogo.




Homenagem associativa
No passado dia 27 de outubro, no Auditório Municipal de Gaia, a Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia prestou homenagem a Eduardo Vitor Rodrigues como dirigente associativo com um espetáculo em que intervieram o Ginasiano Escola de Dança, a Escola de Música de Perosinho, o Grupo de Percussão da Academia de Música de Vilar do Paraíso, o Estúdio de Ópera da Fundação Conservatório Regional de Gaia e a Orquestra do Fórum Cultural e o Coral de Gulpilhares. Ao homenageado foi ainda entregue uma obra de Arte representando um barco rabelo.


Prémio
A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, Organização Não Governamental de Ambiente com maior intervenção à escala nacional, que a 31 de outubro passado comemorou 32 anos de existência, atribuiu o Prémio Quercus 2017 ao biólogo Nuno Gomes Oliveira, licenciado pela Universidade de Bordéus e doutorado pela Universidade de Coimbra, autor do projeto do Parque Biológico de Gaia que dirigiu entre 1983 e 2016 (instituição que igualmente recebeu este galardão em 2011), e também dos projetos do Parque Biológico de Vinhais, da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, da Reserva Natural Local do Estuário do Douro e de muitas outras intervenções ambientalistas publicadas em diversos livros e dezenas de artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras.
______________________________________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 108 – sábado, 25 de novembro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Eça & Outras

Um abraço solidário para Piotr Riabov

Professor Piotr Riabov, fotografia  A.N.A., 14 de outubro de 2017
Em 1898, num curioso texto intitulado A Rainha, no caso D. Amélia de Orleães e Bragança, publicado na Revista Moderna, Eça de Queirós definiu-se politicamente como um «vago anarquista entristecido, idealizador, humilde, inofensivo…Anarquismo, mesmo vago…». Estava a menos de dois anos da sua imprevisível morte, e por isso ainda lutava contra «a presença angustiosa das misérias humanas, tanto velho sem lar, tanta criancinha sem pão, e a incapacidade ou indiferença de monarquias e repúblicas, para realizar a única obra urgente do mundo – “a casa para todos, o pão para todos”». Desde muito novo que partilhava, mesmo sem os definir ou sem sequer assim os denominar, alguns princípios do ideal anarquista. Em setembro de 1871, aos vinte e cinco anos de idade, escrevia em As Farpas que a política da época era «a posição dos nulos, a ocupação dos vadios, a ciência dos ignorantes, o préstimo dos inúteis, a grandeza dos medíocres, a renda dos que não têm renda». Mas foi sobretudo durante a sua estadia como cônsul em Paris que teve oportunidade de questionar e consolidar as suas convicções, como muito bem demonstrou Sérgio Duarte num notável ensaio intitulado «Eça de Queirós e o Anarquismo», apresentado no Solar Condes de Resende num colóquio intitulado “Eça de Queirós era monárquico, republicano ou anarquista?”, organizado pela Confraria Queirosiana em 2004, depois publicado no jornal A Batalha de setembro-outubro desse mesmo ano, onde concluiu que «Eça foi até ao fim da vida adepto de um socialismo federalista de cariz proudhoniano. Nunca foi um ativista político, devido às funções oficiais que desempenhava e, muito provavelmente, também por falta de vocação militante, mas nunca deixou de defender as suas ideias, mesmo quando isso lhe poderia ter trazido alguns dissabores».
Segundo Proudhon «a liberdade, sem o socialismo, constitui um privilégio; o socialismo, sem a liberdade, é o caminho da autocracia e da escravidão». Por sua vez Stirner adopta como ideal «a liberdade absoluta do espírito humano… [com a qual] …o interesse pessoal do indivíduo é a sua única lei, tendo cada um direito ao seu desenvolvimento integral, tanto quanto lho permita o próprio poder» (GETTELL, História das Ideias Políticas, Lisboa: Editorial Inquérito, 1936, p. 552/553). São algumas destas questões que Eça equaciona através da personagem de Fradique Mendes, caracterizado por «esta independência, esta livre elasticidade de espírito e intensa sinceridade», mas tendo em conta que, tanto ele quanto Fradique, não eram homens de ciência, nem filósofos, não podendo por isso «concorrer para o melhoramento dos [s]meus semelhantes – nem acrescendo-lhes o bem estar por meio da ciência… nem elevando-lhes o bem sentir por meio da metafísica» (…) «Só me resta ser, através das ideias e dos factos, um homem que passa, infinitamente curioso e atento» (Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes). Daí aquela certeza de ser apenas «um vago anarquista entristecido…», um daqueles que as tiranias facilmente toleram por serem quase inofensivos. Mas já não será assim quando se trata de homens de pensamento quando estes são professores ativos, que além de darem aulas, escrevem livros em que as perguntas, muito mais do que as respostas, são legítimas e incómodas, e fazem intervenções públicas levando os outros cidadãos a interrogarem-se e a procurarem respostas que não mintam à sua condição humana nem à sua inteligência. Eça também experimentou a prepotência oficial contra as suas interrogações apresentadas nas sessões das Conferências do Casino, mandadas encerrar pelo governo de então. Mas não foi preso nem perseguido, embora tivesse sido prejudicado na sua carreira consular. Mais tarde, dessa censura sobre as suas convicções nascerá a metáfora de O Mandarim.
         Não é assim nos dias de hoje na Federação Russa putiniana: Piotr Riabov, mestre em Filosofia, considerado um dos principais historiadores do Anarquismo e do Existencialismo na Rússia, docente do departamento de Filosofia da Universidade de Pedagogia de Moscovo, foi preso no passado dia 9 de outubro na Bielorrússia quando proferia uma palestra sobre aquele tema. A polícia invadiu as instalações onde decorria a palestra e prendeu-o, bem assim como outras vinte pessoas que o escutavam, tendo ainda apreendido os livros e outros impressos de apoio. Levados para a esquadra, foram libertados depois de interrogados. Mas no dia seguinte, quando estava na estação ferroviária prestes a embarcar para Moscovo, aquele professor foi novamente detido, sendo depois julgado e condenado a seis dias de prisão, acusado de vandalismo e de divulgação de ideias extremistas. Em protesto contra esta prepotência inadmissível nos dias de hoje, entrou em greve de fome, gerando um movimento de solidariedade e apoio internacionais em volta da sua ação pela liberdade de pensamento.
         Sendo pois hoje o governo de Putin em Moscovo muito mais repressivo e tacanho do que em 1871 o do senhor Conde de Ávila em Lisboa, o tal que proibiu as Conferências, resta-me enviar daqui, a título pessoal, um abraço fraterno de solidariedade ao colega Piotr Riabov, acompanhado do meu mais veemente protesto contra a sua arbitrária prisão e perseguição contrário ao Direito internacional e às convenções assinadas por Portugal a favor da liberdade de pensamento e de expressão. Creio bem que Eça de Queirós igualmente subscreverá esta posição.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Livros

Embora já publicado e editado por Manuel Almeida dos Santos em 2014, chegou-nos agora à mão o livro ONGs – Passado e Presente. Uma experiência pessoal, com impressivos relatos das vivências do autor sobre o trabalho de algumas organizações não governamentais às quais tem dedicado uma boa parte da sua vida. Em prol do seu semelhante. Começando por definir o seu âmbito e utilidade numa perspetiva ética da cidadania, aborda questões que vão da escravatura à tortura, do terrorismo de Estado às dádivas de sangue, das prisões aos castigos corporais sobre as crianças, tudo «contributos para uma nova ordem política, económica e social». Por fim o autor expõe-se indicando a sua relação pessoal com algumas ONGs.

Acaba de ser publicada uma nova monografia de Francisco Barbosa da Costa intitulada São Martinho de Mozelos – Notas Monográficas, edição da respetiva Junta de Freguesia com o apoio de várias empresas sediadas nesta freguesia santamariana. Após a publicação desde 1980, de idênticas edições referentes a muitas das freguesias de Vila Nova de Gaia, tendo começado pela terra da sua naturalidade, a freguesia de Canelas, já com posterior reedição, e depois de vários livros sobre o património institucional da região a partir do arquivo do Governo Civil e do Arquivo Distrital do Porto, este novo livro, para além dos aspetos geográficos, históricos, institucionais e etnográficos, apresenta ainda o património construído, institucional e as figuras notáveis da terra, passando assim a ser uma publicação de referência para os mozelenses atuais e vindouros.

Partículas Comensais, de Jaime Milheiro
         No passado dia 18 de outubro, na UNICEPE no Porto, Arnaldo Trindade apresentou o novo livro de Jaime Milheiro intitulado Partículas Comensais, onde o autor continua a analisar as misteriosidades que o ser humano, dispensado que tem sido da luta pela sobrevivência quotidiana, inventa para se sentir vivo, pois a alternativa seria regressar ao primevo galho da árvore, solução que só alguns grupelhos pouco numeroso advogam.

Palestras, cursos, congressos e outros eventos

O Tempo dos Professores
         Nos passados dias 28 a 30 de setembro decorreu no Porto na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação o Congresso Internacional “O Tempo dos Professores”, no qual José António Martin Moreno Afonso apresentou o trabalho «Memórias dos anos de formação de uma professora portuense nos anos de 1920», baseado na documentação sobre uma discípula de Teófilo Braga depositada na Confraria Queirosiana.

Igreja de Mafamude
            No passado dia 30 de setembro, o historiador de Arte e residente da direção da Confraria Queirosiana conduziu uma visita guiada da Associação Cultural Amigos de Gaia à igreja de Mafamude, exemplar da arquitetura joanina, onde dissertou sobre o seu altar das Almas, o S. Cristóvão de Afonseca Lapa, o Senhor Morto de Soares dos Reis, mutilado no século XIX e outras obras de Arte Sacra que ali pertencem.

História da Misericórdia Porto
             Nos passados dias 12 a 14 de outubro decorreu no Porto o IV Congresso de História da Misericórdia do Porto, subordinado ao tem “Pessoa(s), Arte e Benemerência” no qual falaram, entre muitos outros conferencistas, Francisco Ribeiro da Silva sobre «Os Cartorários e o Arquivo Histórico da Misericórdia do Porto. O caso exemplar de Querubino Henriques Lagoa», António Manuel S. P. Silva sobre «O Castelo de Gaia, um sítio arqueológico excecional e um valor cultural a potenciar» e Jorge Fernandes Alves sobre «Política e Misericórdia – Algumas incidências dos mandatos do Provedor António Luís Gomes na SCMP»

Palestras
No passado dia 20 de outubro, J. A. Gonçalves Guimarães apresentou na Escola Básica Soares dos Reis em Vila Nova de Gaia uma proposta para um roteiro sobre a vida e obra de Soares dos Reis centrado na terra da sua naturalidade e na vizinha cidade do Porto. No próximo dia 26 falará de manhã na Escola Secundária Sophia de Mello Breyner em Arcozelo sobre “As bibliotecas da minha vida” e á noite, nas habituais palestras das últimas quintas-feiras do mês do Solar Condes de Resende sobre “O Centro Histórico de Gaia como zona portuária no período da industrialização” .

Vinhas e Vinhos
         Hoje, 25 de outubro, tem início o “Vinhas e Vinhos: II Congresso Internacional”, organizado pela APHVIN/GEHVID – Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho, com abertura no Porto na Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Entre muitos outros investigadores participarão com comunicação J. A. Gonçalves Guimarães e Licínio Santos que falarão sobre a “Produção de vinhos de marca em contexto urbano: o caso dos Nicolau de Almeida em Vila Nova de Gaia”; e Nuno Resende sobre “O Vinho no discurso intra e interfamiliar em Casas do Douro (séc. XVI-XIX)”.

Arqueólogos Portugueses
         Nos dias 22 a 26 de novembro decorrerá em Lisboa o II Congresso da Associação dos Arqueólogos Portugueses com um basto programa no qual será apresentado o trabalho intitulado “O Projeto Castr’Uíma (Vila Nova de Gaia, 2010-2015): elementos e reflexões para um balanço prospetivo” da autoria de António Manuel S. P. Silva, J. A. Gonçalves Guimarães, Filipe M. S. Pinto, Laura Sousa, Joana Leite, Paulo Lemos, Pedro Pereira e Maria de Fátima Teixeira. Esta comunicação faz um balanço desta intervenção realizada entre 2010 e 2015 no Castelo de Crestuma pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património da ASCR-CQ:

Exposições
Pintora Paula Costa Alves
No passado dia 21 de outubro abriu ao público no Palácio dos Viscondes de Balsemão no Porto a exposição “A expulsão do Paraíso” da pintora Paula Costa Alves, professora do curso livre de Pintura da Confraria Queirosiana no Solar Condes de Resende. Possuidora de um notável percurso como professora e como pintora, «esta exposição-instalação explora o poder de semelhança – e a forte carga emocional – entre a imagem de Adão na obra “A expulsão de Adão e Eva do paraíso” de Masaccio e uma das fotografias mais icónicas dos sobreviventes dos atentados de 11 de setembro de 2001…» (do folheto de apresentação). A mostra estará patente até 18 de novembro.

Salon d’Automne queirosiano
            No próximo dia 4 de novembro, pelas 17,30 horas abrirá ao público no Solar Condes de Resende a edição 2017 desta mostra de Artes Plásticas dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, com obras de Abel Barros, Ana Matos, Angelina Rodrigues, António Almada, António Lacerda, António Pinto, António Rua, Carolina Calheiros Lobo, Cerâmica do Douro, Emília Maia, Ilda Gomes, Luísa Tavares, Maria Eduarda Vilhena, Rodrigo Costa, Rosalina Sousa, Susana Moncóvio, Teresa Girão Osório e Valença Cabral, a qual estará patente até ao final do mês de dezembro.

Roteiro Queirosiano de Évora

No dia 27 de setembro passado foi apresentado no salão nobre dos Paços do Concelho de Évora, o novo roteiro turístico dedicado à presença de Eça de Queirós no município em 1867, complementado com uma visita conduzida pelos investigadores Manuel Alcario e Manuel Branco, a qual teve início junto à entrada do Jardim Público e terminou no largo Conde de Vila Flor junto ao Museu e à Biblioteca Pública de Évora. Tiveram como principal objetivo, além da evocação da sua presença, a divulgação da sua escrita jornalística e política.
Esta iniciativa inseriu-se num programa municipal mais vasto de celebração do Dia Mundial do Turismo. O Roteiro Queirosiano representa uma nova forma de dar a conhecer a cidade aos turistas, que vão poder de forma gratuita realizar este novo percurso pedestre, remetendo para os principais eventos e locais onde o escritor viveu, que frequentou e sobre os quais escreveu há 150 anos.
Com esta apresentação, a Câmara Municipal de Évora encerrou assim um conjunto de iniciativas que decorreram de janeiro a setembro de 2017 e que contaram com a colaboração de várias entidades locais e nacionais (como foi o caso da Confraria Queirosiana) e com um grupo de cidadãos eborenses. Revelaram também importantes acontecimentos ocorridos no período regenerador na cidade e no país.
______________________________________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 107 – quarta-feira, 25 de outubro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Eça & Outras

Pode uma criança usar o apelido Eça como nome próprio?

            O apelido luso-galaico Eça parece provir do latim ersa, de erigere, erguer a prumo, levantar, construir, instituir. Deveria ter evoluído para essa, mas para não se confundir com o pronome designativo esse/essa, passou a grafar-se eça, sendo pois homófonas com grafias e significados diferentes.
            Mas na realidade este apelido em Portugal vem de uma localidade galega chamada Eza, senhorio concedido a D. Fernando, filho primogénito de D. João, por sua vez filho de D. Pedro e D. Inês. Tendo saído do país com seu pai, após este ter assassinado sua mãe, D. Maria Teles de Meneses, por ciúmes, viveu muito tempo na Galiza e recebeu aquele senhorio de seu primo segundo, D. Fradique de Castro, duque de Arjona, tomando daí o apelido e passando a designar-se D. Fernando de Eza, ou Deza, depois aportuguesado para Deça, ou de Eça, nos seus descendentes.
            Ainda em Portugal, como apelido de família, a mais conhecida foi a dos Pereira de Eça, da família de D. Carolina Augusta Pereira d´Eça, que por ter casado com o juiz Dr. José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, transmitiram a seus filhos os sobrenomes Eça de Queirós, que foram usados como nome literário e social pelo filho primogénito, o escritor José Maria Eça de Queirós, também usados pelos seus laterais e descendentes, mas com o nome próprio. Mas hoje, comummente, no mundo da lusofonia e na literatura internacional os apelidos Eça de Queirós designam apenas e só o grande escritor. Porém, devido à sua popularidade e impacto da obra na Cultura Portuguesa também costuma ser coloquialmente designado simplesmente como Eça, “o Eça”, e todos sabemos de quem estamos a falar.
            São relativamente vulgares alguns gentílicos assumidos como nomes próprios portugueses, mesmo quando os que os usam, e os seus progenitores que lhos deram, o não saibam ou o não considerem, quantas vezes atribuídos apenas para homenagear um antepassado ou um padrinho. Temos assim, por exemplo, os Vasco, inicialmente os originários do País Basco (Vasco, do latim vascones), mas que hoje já não o serão; os Albano, que não o serão de Alba Longa, remota cidade latina, nem da Albânia, país adriático; nem as Alexandrinas, serão de Alexandria no Egito, mas simples feminino de Alexandre; os Américo, esquecidos os Amalaricos e os Almericos de onde provem o nome, não o serão tanto pelo Vespucci, mas pela América, como continente ou país, e quanto às Fátima portuguesas, nada terão a ver com a filha do Profeta e esposa de Ali, o 4º califa, de seu nome FaTmâ, a desmamada, mas sim com a povoação perto de Leiria onde em 1917 ocorreram fenómenos para-religiosos. São pois gentílicos usados como nome próprio e outros poderíamos acrescentar. Então porque é que o gentílico Eça, se assim o considerarmos pelos motivos acima expostos, não poderá ser usado como nome próprio português? Dirão que a povoação de Eza/Eça não é suficientemente importante para tal. Mas também não o será Alba Longa, toponimicamente falando, hoje um bairro de Roma. E aí temos os Albano sem contestação. No facebook encontrei uma Eza Elizabeth, o que é efetivamente pouco, e poderá ser o mesmo que Elsa, o nome abreviado de Elisabeth/Isabel. Mas no Brasil, via internet, encontrei um Eça da Silva Canto Júnior, terapeuta ocupacional em São Gonçalo do Amarante. Poderá haver mais no mundo da lusofonia.
            Parece-me óbvio que o uso do apelido Eça, se usado como nome próprio, terá hoje a ver, já não com aquele remoto gentílico galego, mas com o nome do escritor Eça de Queirós, do mesmo modo que os muitos Herculano existentes desde o século XIX já nada terão a ver com a cidade de Herculaneum, destruída pelo Vesúvio, mas com o segundo nome próprio do escritor (Alexandre) Herculano que, tal como Eça é designado coloquialmente pelo seu primeiro apelido como se fora um nome próprio, o autor de O Monge de Cister o é pelo seu segundo nome próprio, simplesmente Herculano. Temos assim “o” Eça, “o” Herculano, “o” Camões, “o” Pessoa, “o” Saramago, etc., nomes literários usados, a posteriori, é certo, como se de nomes próprios se tratassem.
            Por todos estes motivos, e outros idênticos que poderiam ser aduzidos, tenho como válido para a Cultura Portuguesa, nomeadamente para a sua onomástica, numa perspetiva da sua tradição, inovação e perpetuidade, que tal como outros se chamam Vasco, Albano, Américo, Fátima ou Herculano, que a uma criança possa ser atribuído o nome próprio Eça. Em Portugal a entidade competente na matéria é o Instituto dos Registos e do Notariado, que todos os anos publica uma lista dos nomes aceites e dos recusados, mas que prevê que as pretensões para estes últimos sejam revistas desde que devidamente fundamentadas. O que acima escrevi é o meu contributo para essa fundamentação, para que Eça possa ser usado como nome próprio por crianças portuguesas. Para além de todas as razões histórico-linguísticas, será com certeza uma homenagem muito própria a um dos maiores vultos da Cultura Portuguesa de todos os tempos. Como é sabido, nas relações humanas, os purismos linguísticos, as gramáticas, os acordos ortográficos e outros regulamentos que tais são ótimos como códigos da estrada da vida mas, só por si, não nos levam a lado nenhum que valha a pena.

J. A. Gonçalves Guimarães
Mesário-mor da Confraria

Eleições
            No próximo dia 1 de outubro haverá eleições para as autarquias portuguesas. Muitos dos nossos sócios e confrades queirosianos apresentam-se ao sufrágio popular nas listas de diversos partidos e coligações, mostrando assim o seu empenhamento na administração local e na melhoria das condições de vida das populações, nomeadamente nas áreas primordiais de apoio social aos mais carecidos; da defesa do ambiente e do fomento de um urbanismo sustentável; da criação de emprego e de atividades para os desocupados; de apoio às condições de vida com ausência de doenças, acidentes ou agressões, ou, quando tal não é possível, aos cuidados de saúde adequados; ao ensino livre, universal, positivista e humanista em todos os graus; ao apoio a atividades profissionais e amadoras nas áreas da Cultura, Desporto, Lazer e Espetáculo, capazes de criarem cidadãos livres, críticos, esclarecidos e empenhados na sua contemporaneidade e nos dias do futuro. Os que não são candidatos deverão participar com o seu voto, evitando assim que outros escolham por si aquilo que efetivamente diz respeito a todos e a cada um. Votai, com amor ou com raiva, mas votai!

Livros
           
Ricardo Nicolau de Almeida (RNA), um homem da Foz do Douro descendente de uma família gaiense de há muito ligada ao mundo dos vinhos, acaba de publicar as suas memórias possíveis num interessantíssimo livro intitulado “Setenta à hora”. Memórias e ajustes de contas com o passado e o futuro, muitos são os que os escrevem: a diferença estará no interesse daquilo que têm para contar e da forma como o fazem. Ora aqui temos duas mais valias incontornáveis: RNA é por natureza um aventureiro de todas as latitudes, ainda que na vida tenha realizado as mais sérias atividades comerciais e de marketing ao serviço de conhecidas empresas de vinhos de Gaia com grande profissionalismo e sucesso. Mas, como ele próprio escreveu, «sou um passageiro do meu corpo». Depois o livro não foi escrito com a preocupação de erudições, o que o transformou num relato fresco, vivo, que se lê por uma noite adentro, não apenas para sabermos como é que uma caravana maluca atravessa desertos perdidos pelas áfricas adentro, nas para ver como é que RNA escapou a situações que Júlio Verne não teria desdenhado de pôr nos livros escritos pela sua empresa de copywriters (não copyrigthers). E tudo isso com um notável humor, às vezes triste, às vezes ácido, que a vida é uma brincadeira pegada muito séria. Apenas um senão, um reparo ao autor: eu conheço muitas mais estórias impagáveis que têm RNA como protagonista que não estão neste livro, vá lá saber-se porquê. Autocensura? Sendo o autor um homem amigo da família, dos companheiros de viagem, dos desconhecidos, talvez não tenha querido melindrar ninguém com elas. Lembro-me, por exemplo, daquela vez em que teve de oficiar uma missa em latim para resolver um problema difícil de logística. Fiquei também intrigado com o facto de não falar das suas pinturas, sendo ele o segundo de uma sequência de tês pintores muito interessantes na família. Mas, no fundo, a despeito destas lacunas, é bem possível que a sua vida, como na antiga Grécia, esteja já a ser tocada pela Mitologia de Gaia, da Foz, do Douro, de África, do Brasil e de muitos outros locais, em volta deste Ulisses atual. Tive a sorte de ser brindado com um exemplar de seu livro à cause do Gabinete de História e Arqueologia, dos Afons’eiros, das escavações de Ervamoira e de outras situações em que nos encontramos e partilhamos vivências. Sendo uma edição pessoal e limitada, vai-vos ser difícil lê-lo, mas olhem que iriam dar o vosso tempo por bem empregue. JAGG.

Palestras, cursos e eventos culturais

Roteiro de Soares dos Reis
            No passado dia 4 de setembro, integrada no programa do IV Congresso Concelhio de Educação de Vila Nova de Gaia organizado pela Escola Básica de Soares dos Reis, J. A. Gonçalves Guimarães conduziu uma visita guiada sobre “Um percurso de Turismo pela vida e obra de Soares dos Reis”, com paragens e dissertação sobre o tema junto da sua estátua no jardim que tem o seu nome e junto da sua casa atelier na rua Luís de Camões, atualmente fechada e degradada, mas que um protocolo recentemente assinado entre a Câmara de Gaia e a Universidade do Porto, proprietária do imóvel, vai reabilitar para memória deste escultor gaiense do século XIX.
    
No passado dia 21 de setembro decorreu no Museu de Arte Popular, em Lisboa, a apresentação do programa nacional das Jornadas Europeias do Património 2017 em Portugal, coordenadas pela DGPC, nas quais, como habitualmente e como anunciado, participou a Academia Eça de Queirós (ASCR-CQ) com a realização de umas jornadas no Solar Condes de Resende no passado dia 23. Foi também aí lançado o programa do Ano Europeu do Património Cultural 2018, pelo ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes, pelo coordenador nacional Guilherme d’ Oliveira Martins e pela diretora geral do Património Cultural. Também neste projeto participará a Academia Eça de Queirós, através da realização de um curso livre sobre Património Cultural de Gaia, com início no próximo dia 28 de outubro, e de outras iniciativas, nomeadamente a continuação da concretização editorial do projeto do Património Cultural de Gaia (PACUG).

Com a realização das Jornadas Europeias do Património, este ano subordinadas ao tema “Património e Natureza” e que decorreram no passado dia 23 no Solar Condes de Resende, reiniciou-se assim a saison cultural nesta casa municipal de cultura e da própria Confraria Queirosiana. Numa sessão presidida por José Manuel Tedim, presidente da direção da ASCR-CQ, falaram Nuno Oliveira sobre “Aspetos do Património Natural de Gaia”; Paulo Rocha sobre “O Geomonumento da Praia de Lavadores”; Susana Moncóvio sobre “O Desenho Científico como instrumento de conhecimento”; Susana Guimarães sobre “O Solar Condes de Resende e a Natureza – equilíbrios centenários a preservar”; Maria de Fátima Teixeira sobre “O Património Natural na Indústria têxtil” e J. A. Gonçalves Guimarães sobre “Património Natural na Coleção Marciano Azuaga”. Devido ao facto destas apresentações estarem limitadas nesta apresentação a um quarto de hora cada, serão posteriormente rentabilizadas nas palestras das últimas quinta-feira do mês ou noutros fóruns.

Júlio Dinis
            No próximo dia 27 de setembro no Forte de São João Baptista da Foz no Porto, integrado no Ciclo de Roteiros Literários e Conferências Foz Literária organizadas por José Valle de Figueiredo, haverá um jantar com palestra subordinada ao tema “Quem se lembra d’ As Pupilas do Sr. Reitor?”.

Músicos de Gaia
            No dia 28 de setembro, pelas 21,30 horas, na habitual palestra das últimas quintas-feiras do mês no Solar Condes de Resende, J. A. Gonçalves Guimarães falará sobre “Músicos gaienses: do lembrar ao escutar”, conferência complementada com a audição de obras escolhidas da autoria dos músicos compositores ou interpretadas por cantores e intérpretes referidos pelo palestrante.

Jornadas Culturais de Balsamão
            Nos dias 5 a 8 de outubro decorrerão no Convento de Balsamão em Macedo de Cavaleiros as XX Jornadas Culturais 2017, este ano sob o tema “Património Natural e Desenvolvimento Regional”, nas quais será conferencista Fernando Andrade Lemos do Centro Cultural Eça de Queiroz, Lisboa, que falará sobre “Balsamão – 10.000 a. C.” (em colaboração).

As Cidades na História
            Nos dias 18 a 20 de outubro decorrerá em Guimarães o II.º Congresso Histórico Internacional – Cidades na História, onde o Gabinete de História, Arqueologia e Património (GHAP) da ASCR-CQ estará presente com as seguintes comunicações: Sessão 9: Cidade Industrial, dia 19: Eva Baptista, “ Pela Creche! As dinâmicas sociais em torno da proteção da prole infantil na sede de concelho de Vila Nova de Gaia, na viragem para o século XX”; J. A. Gonçalves Guimarães, “Vila Nova de Gaia, a «Southwark do Porto» nos primórdios da época industrial”; Licínio Manuel Moreira dos Santos e Maria de Fátima Teixeira, “O centro urbano de Vila Nova de Gaia em finais de oitocentos: uma área industrial num município agrícola”. No dia 20, na Sessão 7 – Cidade Industrial, Jorge Fernandes Alves apresentará, em colaboração, o tema “Porto: a cidade industrial e o sistema portuário”.

Sepulturas escavadas na rocha
            A 19 e 20 de outubro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e organizado pelo CITCEM e DCTP decorrerá o Congresso Internacional sobre “Sepulturas escavadas na Rocha na fachada atlântica da Península Ibérica”, no qual os membros do GHAP, António Manuel Silva, Laura Sousa e outros investigadores do projeto CASTR’UÍMA do Gabinete de História, Arqueologia e Património (ASCR-CQ), apresentaram a comunicação «As sepulturas escavadas na rocha do Castelo de Crestuma (Vila Nova de Gaia, Norte de Portugal): contextos e problemática»

(Re)usar o Douro da Antiguidade
            Entre 26 e 29 de Outubro na Casa Allen no Porto, no Mosteiro de Corpus Christi em Gaia e em Tiermes (Sória, Espanha), decorrerá o Encontro “Construir, navegar, (re)usar o Douro da Antiguidade”, organizado pela FLUP/CITCEM, com a colaboração da FAUP/CEAU, do ISPGaya, da DRN/MC, da Câmara Municipal de Gaia e da Dirección
General de Patrimonio de la Junta de Castilla y Léon. Entre muitos dos conferencistas inscritos no programa falarão António Manuel S. P. Silva sobe “Cale Callaecorum locus? Lugares e povos pré-romanos do Baixo Douro à luz da história e da arqueologia” e Lino Tavares Dias sobre “Ano Zero, ano 100, no territorium de Tongobriga”. O encontro terminará com um debate sobre o desafio “Investir em Património na bacia do Douro. Porquê?”

Curso de Património
A partir de 28 de outubro próximo, o Solar Condes de Resende e a Academia Eça de Queirós, grupo de trabalho dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana, com o patrocínio da Câmara Municipal de Gaia e a colaboração de outras entidades, vão levar a efeito o seu 24.º curso, desta feita sobre Património Cultural de Gaia certificado pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Gaia Nascente e enquadrado nas ações do Ano Europeu do Património Cultural que se celebrará em 2018, a cujas realizações assim desde já se associam. Como habitualmente as sessões serão apresentadas por professores e investigadores que neste caso são também coordenadores dos volumes do projeto em curso sobre O Património Cultural de Gaia (PACUG), nomeadamente António Manuel S. P. Silva, Barbosa da Costa, Eduardo Vitor Rodrigues, Francisco Queiroz, Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, J. A. Gonçalves Guimarães, José A. Rio Fernandes, José Manuel Tedim, Nuno Oliveira, Nuno Resende e Teresa Soeiro.
Destinado ao público em geral, é particularmente interessante para professores e estudantes das diversas áreas do Património e também para os profissionais de Turismo e de Gestão de Património Cultural. O curso decorrerá ao longo de 13 sessões, à média de duas tardes de sábado por mês no Solar Condes de Resende, entre as 15 e as 17 horas. A todos os participantes será entregue no final um certificado de frequência e um CD com textos dos professores sobre a matéria dada. Aos docentes para tal inscritos será passado um certificado de formação credenciada.
A frequência do Curso implica a inscrição prévia e o respetivo pagamento. O programa definitivo poderá ser visto em confrariaqueirosiana.blogspot.com
______________________________________________________

Eça & Outras, III.ª série, n.º 106 – segunda-feira, 25 de setembro de 2017; propriedade dos Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana; C.te. n.º 506285685; NIB: 0018000055365059001540; IBAN: PT50001800005536505900154; email: queirosiana@gmail.com; www.queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras.blogspot.com; vinhosdeeca.blogspot.com; coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima Teixeira; inserção: Amélia Cabral.